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Robôs: tradutores da tecnologia para imigrantes digitais

A cena é corriqueira. Acontece em diferentes cenários e com diferentes personagens. Pode ser a interação entre um senhor e o caixa eletrônico no banco; a avó que recebeu um celular novo e quer mexer no WhatsApp ou fazer uma ligação; o pai brigando com a SmartTV, tentando conectar o YouTube ou o Netflix.

Se há alguns anos saber usar tecnologia poderia parecer supérfluo, hoje em dia é muito difícil cumprir as tarefas mais ordinárias sem saber lidar com computadores, celulares ou internet.

Mesmo com os esforços e avanços para tornar a experiência do usuário (conhecida entre os íntimos como UX) mais intuitiva e acessível nos produtos de tecnologia, algumas pessoas continuam a temer e terem grandes dificuldades ao interagir com dispositivos que não são familiares. Por que algo que nos parece tão natural pode ser tão difícil para outras pessoas?

Tecnologia também é linguagem

Para entendermos esse fenômeno, temos que voltar ao básico: tecnologia é uma linguagem. Para Ferdinand de Saussure, conhecido como pai da linguística moderna, a linguagem é um sistema de sinais. Os signos que compõem esse sistema são divididos em dois: a primeira parte é chamada de significante, que são as formas (imagem, foto, palavra, som, ícone, movimento ou outro); a segunda, que é a ideia que a qual a forma está associada, é chamada de significado. Para comunicar, os símbolos devem ser parte de um sistema de convenções, que em que essa associação entre forma e ideia possa ser aprendida.

Quem disse, por exemplo, que um ícone de engrenagem significaria “Configurações”? Ou que três pontos verticalmente alinhados significa “Menu”? Por mais que pareça natural, a verdade é que a correlação entre significantes e significado é, na maior parte das vezes, arbitrária.

Dessa maneira, os ícones, as nomenclaturas das funções, os movimentos em uma tela (pinçar, clicar, clicar e segurar, arrastar) e todos os outros elementos tecnológicos fazem parte de um sistema de convenções que tivemos que aprender ao longo do tempo.

Por mais que cada aparelho possua seu próprio “dialeto”, existe uma grande base comum de linguagem entre dispositivos tecnológicos. Dessa maneira, os nativos digitais têm a impressão de que é fácil mexer em um novo gadget porque conseguimos explorar suas funcionalidades facilmente, sem nos darmos conta de que estamos usando a base do que aprendemos em outras interações tecnológicas ao longo da vida.

Mas e quem ficou alheio a essas interações e teve acesso restrito a essa base comum da linguagem da tecnologia, como fica?

Robôs como pontes de acesso da tecnologia

A robótica e a inteligência artificial parecem se apoiar no que há de mais avançado em desenvolvimento tecnológico. Dessa maneira, pode parecer contra intuitivo, a princípio, que a robótica seja um dos principais caminhos para a democratização do acesso à tecnologia. Mas é.

Outra cena corriqueira nesse conflito entre imigrantes digitais e tecnologia: a pessoa que faz pesquisas no Google como se estivesse falando com o Google, como se fosse uma pessoa. Apesar de parecer algo meio surreal, ainda há muitas pessoas que têm esse tipo de entendimento.

Alguns exemplos desse fenômeno

Na falta de conhecimento do protocolo usados nas linguagens tecnológicas (nesse caso, o uso de palavras-chave), as pessoas que não têm esse conhecimento se utilizam da linguagem que conhecem. Por essa razão os robôs podem ser os grandes tradutores da tecnologia para os imigrantes digitais, aumentando a acessibilidade. A linguagem utilizada por robôs e inteligências artificiais se aproxima cada vez mais da usada nas interações humanas. Dessa forma, é possível pedir para que o robô realize tarefas e dê informações da mesma maneira que você pediria a um amigo. Portanto, essa não é uma linguagem que precisa ser aprendida como a de outros aparelhos.

O entendimento de comandos pode ser mais flexível por parte do robô através da fala, através de um trabalho de UX, com capacidade de entender mais de um maneira de falar sobre um assunto ou dar um comando. Por fim, há mais elementos humanizados que tornam a interação homem-máquina mais fluída e intuitiva. A presença de elementos reconhecíveis como humanos como olhos, braços, além de um tom informal e descontraído, passa a sensação de se estar conversando espontaneamente com uma outra pessoa, além de comunicar outras dimensões da linguagem (corporal, sentimental, dentre outras).

Em um mundo cada vez mais dependente da tecnologia e da linguagem tecnológica, os robôs se apresentam como tradutores ideais entre esses dois mundos para que todos consigam desfrutar de suas vantagens.

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